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sábado, 28 de fevereiro de 2009

Amar humanamente

Os amores de um homem

São como dias de Verão,

Há aqueles que se consomem

Ou que simplesmente somem

Como uma luz na escuridão.


Amar.

É tão belo amar e ser amado

Ser beijado e beijar,

Dar a mão e caminhar

Estar perdido e ser consulado.


Ou então escrever,

Deixar as ideias fluir.

Num dia cinzento e a chover

Ver lágrimas a escorrer

Mas no fim fazer sorrir.


Ama, deixa de futilidades!

Deixa-te consumir pela formosura

Segue as verdades

Luta contra adversidades

Pois o amor é a mais bela loucura.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Lágrimas de Sangue

Quero chorar mas não consigo,
Consigo apenas sonhar contigo
E com a tua mão dada à minha
Para que a minha alma não ande sozinha
Neste mundo de eterno sofrimento
E eterna imperfeição.
Chora o meu coração
E não o consigo dominar
Como se a chorar
Ele desabafasse tudo o que interioriza
E aquilo que precisa
Para te fazer esquecer.
Um guerreiro não chora?
Não só chora como decora
Aquilo que o faz chorar,
Para que no futuro não venha a vacilar.
Nem tão pouco cair.
Valhala me espera.
Mas a morte não me desespera,
Porque a maior honra do guerreiro
É morrer em anseio
Numa batalha dividida.
Lágrimas de sangue me correm,
Mas ideias não me ocorrem
Para ultrapassar tal desilusão:
Brunilde do meu coração.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Asgard ou Valhala

Vida ou morte,
Azar ou sorte,
Hesitação ou confiança,
Adulto ou criança,
Riqueza ou pobreza,
Investimento ou avareza,
Aqueu ou troiano,
Cristão ou muçulmano,
Solteiro ou casado,
Morto ou ressuscitado,
Mentira ou verdade,
Puberdade ou maioridade,
Recente ou ultrapassado
Odiado ou amado,
Estagnação ou progresso,
Barreira ou acesso,
Esquecimento ou lembrança,
Cantata ou dança,
Faurré ou Mahler,
Mendhelsson ou Wagner,
Loiro ou moreno,
Nervoso ou sereno,
Baptizado ou funeral,
Traiçoeiro ou leal,
Herói ou vilão,
Saúde ou Podridão,
Iletrado ou doutor,
Alegria ou dor,
Dia ou noite,
Carícia ou acoite,
Portugal ou Espanha,
Verdade ou manha.

Asgard ou Valhala:
Perdê-la ou Amá-la.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Opus 35

À beira do rio caminho

E aproveito para pensar

No rumo que teimo trilhar

Sozinho.

Reparo com curiosidade

Na paisagem que difere

E a minha lembrança fere...

Saudade.

De mim, de ti, de nós

A poder ainda brindar

De à luz da lua beijar

A sós.

De ter confiança

De brincar e sorrir

Saudade de me sentir

Criança.

Saudade de ser assim

Não sabendo porquê

Saudade de quê?

De mim.

Falta cumprir o que diz

A cartilha do viver:

Ainda me falta ser

Feliz.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Asgard Tão Perto


Entrei num mundo perfeito
Onde tudo me era familiar,
Caminhei do meu jeito
E a Asgard fui parar.
Vi deuses entre a bruma
Senti seu trato imperial,
Provei as maçãs de Iduna
E fiquei Imortal.
Senti-me forte como um touro
Ao encarar os meus medos.
Lavei-me no Rio de Ouro
E descobri os seus segredos.
Senti-te a meu lado
E peguei na tua mão.
Renunciei ao passado
E te abri meu coração.

Naveguei sobre um mar fundo
Inatingível pela nossa mente
Deixei este nosso mundo:
Fui Siegfreid. Novamente!

sexta-feira, 21 de novembro de 2008

Vila Real


Através de mares bravos
Mares bravios e sinuosos
Mares de penedos perigosos
E de rochedos escarpados
A tripulação, coitada, não finge:
Toda ela se aflige

O Marão qual Adamastor
Surge solene a vista humana
Causando enorme terror
Terror esse que nos manda
Para o "Reino Encantado"
Por El Rei Trovador criado.

No Alto do Espinho alguém grita:
"Terra a vista! Terra a vista!"
Então a tripulação acalma
A sua alma fica alva
Numa paz jamais vista
Ao ver o reino que já dista.

Esse reino cada vez mais perto
Qual oásis a meio do deserto
Éde muito nobre descendência
Filhos nobres é a sua tendência
Do guerreiro Carvalho Araújo
A Diogo Cão, o bravo marujo.

Berço do Sargento Pelotas
Também de Alves Roçadas
Nele Camilo se ficou
Em sua beleza fenomenal
Também D. Dinis se enfeitiçou
E por isso lhe atribuiu o Foral.

Tu oh cidade condal
Das mais importantes do nosso Portugal
Orgulhas-te dos condes de Mateus
E dos nobres feitos seus.
Também da D. Maria de Lurdes Amaral
Essa mulher de coragem sem igual.

Pérola do Marão
E princesa do Douro
Os vindouros te venerarão
Pelo teu reino duradouro
Terra de encanto sem igual:
Terra de Vila real!

terça-feira, 21 de outubro de 2008

Richard Wagner (1813-1883)




Nenhuma melodia me diz tanto quanto esta. Melhor, nunca nenhuma melodia me disse tanto quanto a do “Idílio de Siegfried”. Este idílio enquadra-se perfeitamente naquele estilo wagnariano que todos os amantes de música aprendem a reconhecer e a apreciar: melodias intensas e ao mesmo tempo de uma subtileza quase desconcertante e de um romantismo de fazer corar o mais duro e frio dos corações. Richard Wagner nasceu na “oriental” cidade de Leipzig em Maio de 1813 e não nasceu tanto alemão quanto gostaria porque na altura a Alemanha não passava de um monte de retalhos que mais tarde Bismarck haveria de cozer e fazer nascer assim uma grande obra de tapeçaria chamada “Império Alemão”.

Esta inspiração nacionalista aliada a um profundo interesse pela mitologia germano-nórdica, influenciou decisivamente a obra de Wagner. A sua obra-prima, a tetralogía “O Anel dos Nibelungos” é o exemplo mais flagrante. Com esta obra, Wagner pretende deixar a nu os defeitos quase “humanos” do panteão nórdico, principalmente do seu deus supremo Odin (representado por Wotan durante a obra) que graças à sua avareza e falta de palavra haveria de levar à irremediável destruição do mundo dos deuses no dia do crepúsculo (Götterdämmerung) e assim dar lugar ao mundo dos mortais. Esta obra serve também para homenagear o grande herói Siegfried, uma espécie de Aquiles nórdico que apenas foi vencido pelo seu ponto fraco. A Tetralogia divide-se nas seguintes óperas: “O Ouro do Reno” (Das Rheingold), “A Valquíria” (Die Walküre), “Siegfried” e finalmente “O Crepúsculo dos Deuses” (Götterdämmerung).

Ideologicamente, Wagner é, ainda hoje, uma personagem polémica. A sua postura anti-semita granjeou-lhe a fama de “primeiro Nazi da história”, cerca de 80 anos antes de Adolf Hitler. Nas suas óperas “Parsifal” e “Os Mestres cantores de Nuremberga” (Die Meistersinger von Nürnberg) é visível essa sua posição, sendo a abertura da segunda utilizada por Hitler como música de fundo para a propaganda Nazi. Segundo esta interpretação, Mime e Alberich em "O Anel dos Niebelungos" e Kundry e Klingsor em “Parsifal”, são caricaturas anti-semitas. Mime diz "Eu tenho o maior cuidado para esconder hipocritamente os meus pensamentos íntimos". A figura de Mime, o seu próprio nome (mime, mimetos significa "imitação" em grego), deveriam sugerir a ideia de que os judeus só são capazes de imitar e que corrompem a linguagem. Albericht sonha com o poder. Ambos perecem miseravelmente. O Anel dos Niebelungos, embora sua a acção não seja ligada ao Cristianismo, é interpretado como uma ilustração do desenvolvimento anterior, presente e futuro da humanidade, usando elementos da mitologia nórdica, traçando vários paralelismos com livros da Bíblia como o Génesis (equivalente à ópera O Ouro do Reno) e o Apocalipse (equivalente à ópera O Crepúsculo dos Deuses). Esta posição faz com que a obra wagneriana seja recusada por uma das mais célebres orquestras mundiais: A IPO (Israel Philarmonique Orchestra).

Quando Richard Wagner morreu, em Fevereiro de 1883, o mundo da música perdeu um dos seus maiores génios que, simultaneamente, foi compositor, poeta, ensaísta e inventor.

Polémicas à parte, o mundo da música agradece o seu contributo!