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quarta-feira, 22 de abril de 2009

Caminhada Funesta

Fatum

O tempo é célere em demasia
Comboio que arranca sem ter calma,
Vida, encenação ou fantasia
Ferida que nos corrói a alma.

Sinfonia incompleta, deixada,
Brisa que sopra com lentidão,
Orvalho fresco da madrugada
Conto secreto da multidão.

Passagem fugaz mas mesmo assim
Saudade que queima todo um ser,
Medo que no dia do meu fim
Venha a partir sem me conhecer.


terça-feira, 24 de março de 2009

Rosa de Primavera

Verum Amorae

A intimidade da noite traz-me

A ternura dos meus sentimentos

Como so ela realmente me conhecesse

Como se só ela me entendesse.

Ela irremediavelmente mostra-me

A inquietude dos meus pensamentos

Onde acabam meus anseios

Onde começam os meus devaneios.

Tudo à volta parou no tempo

No instante em que te vi chegar

Como se deixasse de soprar o vento

Na cumplicidade daquele olhar.

Cresceu então dentro de mim

Uma daquelas sensações

Que desorienta a alma e assim

(Sem qualquer tipo de satisfações)

A enfraquece e consome

E apenas te apercebes dela

Quando dela já não te consegues libetertar

Nem tão pouco contra ela lutar.

Viste com aquela estação

Em que na terra tudo floresce

E o dia em que tudo terminará

Apenas o destino o saberá.

Cingi-te na claridade da razão

Teu nome a minha mente não esquece,

Tua beleza em ouro resplandece

E assim te guardo no meu coração.


sábado, 28 de fevereiro de 2009

Amar humanamente

Os amores de um homem

São como dias de Verão,

Há aqueles que se consomem

Ou que simplesmente somem

Como uma luz na escuridão.


Amar.

É tão belo amar e ser amado

Ser beijado e beijar,

Dar a mão e caminhar

Estar perdido e ser consulado.


Ou então escrever,

Deixar as ideias fluir.

Num dia cinzento e a chover

Ver lágrimas a escorrer

Mas no fim fazer sorrir.


Ama, deixa de futilidades!

Deixa-te consumir pela formosura

Segue as verdades

Luta contra adversidades

Pois o amor é a mais bela loucura.

quarta-feira, 14 de janeiro de 2009

Lágrimas de Sangue

Quero chorar mas não consigo,
Consigo apenas sonhar contigo
E com a tua mão dada à minha
Para que a minha alma não ande sozinha
Neste mundo de eterno sofrimento
E eterna imperfeição.
Chora o meu coração
E não o consigo dominar
Como se a chorar
Ele desabafasse tudo o que interioriza
E aquilo que precisa
Para te fazer esquecer.
Um guerreiro não chora?
Não só chora como decora
Aquilo que o faz chorar,
Para que no futuro não venha a vacilar.
Nem tão pouco cair.
Valhala me espera.
Mas a morte não me desespera,
Porque a maior honra do guerreiro
É morrer em anseio
Numa batalha dividida.
Lágrimas de sangue me correm,
Mas ideias não me ocorrem
Para ultrapassar tal desilusão:
Brunilde do meu coração.

quinta-feira, 8 de janeiro de 2009

Asgard ou Valhala

Vida ou morte,
Azar ou sorte,
Hesitação ou confiança,
Adulto ou criança,
Riqueza ou pobreza,
Investimento ou avareza,
Aqueu ou troiano,
Cristão ou muçulmano,
Solteiro ou casado,
Morto ou ressuscitado,
Mentira ou verdade,
Puberdade ou maioridade,
Recente ou ultrapassado
Odiado ou amado,
Estagnação ou progresso,
Barreira ou acesso,
Esquecimento ou lembrança,
Cantata ou dança,
Faurré ou Mahler,
Mendhelsson ou Wagner,
Loiro ou moreno,
Nervoso ou sereno,
Baptizado ou funeral,
Traiçoeiro ou leal,
Herói ou vilão,
Saúde ou Podridão,
Iletrado ou doutor,
Alegria ou dor,
Dia ou noite,
Carícia ou acoite,
Portugal ou Espanha,
Verdade ou manha.

Asgard ou Valhala:
Perdê-la ou Amá-la.

quinta-feira, 25 de dezembro de 2008

Opus 35

À beira do rio caminho

E aproveito para pensar

No rumo que teimo trilhar

Sozinho.

Reparo com curiosidade

Na paisagem que difere

E a minha lembrança fere...

Saudade.

De mim, de ti, de nós

A poder ainda brindar

De à luz da lua beijar

A sós.

De ter confiança

De brincar e sorrir

Saudade de me sentir

Criança.

Saudade de ser assim

Não sabendo porquê

Saudade de quê?

De mim.

Falta cumprir o que diz

A cartilha do viver:

Ainda me falta ser

Feliz.

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

Asgard Tão Perto


Entrei num mundo perfeito
Onde tudo me era familiar,
Caminhei do meu jeito
E a Asgard fui parar.
Vi deuses entre a bruma
Senti seu trato imperial,
Provei as maçãs de Iduna
E fiquei Imortal.
Senti-me forte como um touro
Ao encarar os meus medos.
Lavei-me no Rio de Ouro
E descobri os seus segredos.
Senti-te a meu lado
E peguei na tua mão.
Renunciei ao passado
E te abri meu coração.

Naveguei sobre um mar fundo
Inatingível pela nossa mente
Deixei este nosso mundo:
Fui Siegfreid. Novamente!